quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

Instantes de natal

Hoje a noite indo pela manhã pus-me a assistir tv como nos bons e velhos (não tão velhos assim, afinal só tenho 25 anos) de minha adolescência. A falta de sono era comum como naquela época também, as matérias do Jornal da Globo não tinham também grandes diferenças, falavam de modo geral sobre economia, política, o rumo que o Brasil irá tomar nos próximos anos, esporte, mais uma vez sobre o mercado que se movimenta nos clubes nacionais ao fim do ano no período pós Brasileirão. De certo modo eram as mesmas baboseiras de sempre, que hora ou outra nos trazem algo mais interessante e notório.
No entanto, não aguentando ver o jornal passei pela Record e vi mais uma daquelas matérias sobre a depressão do século XXI que tanto assola as pessoas do nosso mundo capitalista e egoísta. A matéria falava sobre famosos e seus mundos solitários. O que me chamou a atenção não fora nenhuma novidade, mas sim ver como as mesmas coisas se repetem ano após ano. Parece que ao final do ano, sempre existem matérias que tocam na vida das pessoas e como elas estão frustradas por suas vidas não serem aquilo que imaginaram ou sonharam, que não fizeram progressos materiais e suas vidas estão estagnadas na mesma de sempre.
Meio sem querer coloquei-me a refletir sobre estas histórias e ainda reflito nesse momento. Penso como um amigo muito próximo ficou dia desses, por ter brigado com sua namorada, muito chateado. Por uma bobagem que esqueci e fui me relembrar com o mesmo e este me disse que também esquecerá. Mas do momento de sua tristeza lembro bem de seu semblante e de como relatava não conseguir trabalhar. Estava difícil de concentrar-se nas coisas mais corriqueiras e básicas de suas funções trabalhistas. Dizia não ter forças. Sua vontade jazia numa lápide fria e funda. Até mesmo escutar música, coisa que adorava, pouco lhe dava prazer ou mesmo não servia para seu verdadeiro propósito, se esvair da dor.
Contou-me que passará certa manhã evitando, naquele momento, sua não tão bem quista namorada. Passou na cabeça terminar, que aquilo não tinha mais jeito, pois era ela sempre incompreensiva e egoísta que nunca se desculpava da maneira certa. Contou-me assim mais de sua dor. No entanto nada desta dor realmente importava antes, durante e depois. O que vem a vocês a seguir é o que de fato tem valor para esse relato. Uni e dá sentido a tudo que falei.
Não sabendo agora o motivo de sua tristeza, porém consigo lembrar o que mudou seu estado emocional. E não foi nada demais, fora somente a simples vontade de ver que podia muito mais do que ficar só e se sentir esquecido pelo resto do mundo, usando o velho jargão: "oh vida, oh azar!". O que realmente importou foi mudar seu espírito e fazer-se melhorar, lembrando-se de outro velho refrão "o poder é de vocês", do animado desenho do "Capitão Planeta" (meados da década de 90 – Rede Globo de Televisão).
O que faz um homem ou mulher serem diferentes está na atitude de como devem encarar o mundo nosso que nos completa, e não o "mundo nosso brinquedo perfeito de nossa imaginação e vontade egoísta" (jargão do autor).
Pode até parecer piegas falar de como controlamos nossas vidas e podemos fazê-la diferente diante as diversidades dos mundos. Mas vejo que falar da depressão das pessoas pode ser tão repetitivo, por que não falar então novamente de como podemos nos superar somente pelo querer contido no pensamento e posto em prática de vida, em algo maior que o mundo do nosso umbigo de cada dia, mas olhando atentamente ao redor, enquanto nos sentimos os esquecidos do mundo feliz do fim de ano. Na verdade somos muito mais felizes, sendo infelizes ao fim do ano, que aqueles infelizes do ano inteiro, que não tinham um teto para morar, uma pessoa pra lhe afagar, um café para lhe esquentar o estômago tantas vezes maltratado pelo vazio do tempo, esquecido da última refeição.
Eu sei que posso mais, assim como sei que você e meu amigo podem mais também. Seja qual for o momento, é besteira (perda de tempo e gasto emocional desnecessário) nos sentirmos sozinhos por não termos ninguém nos falando o quanto somos importantes ou tecendo quaisquer comentários do tipo.
A vida não cai no colo e vem regada sempre a falácias macias. Quando estamos deprimidos, quantas vezes de fato pensamos em vencer a melancolia com distribuição de alegria ao próximo. Meu amigo em sua relação conseguiu vencer a tristeza causada por uma briga boba de motivação tão fútil que ambos não lembramos com o gesto de dizer o quanto a outra pessoa, sua namorada, era especial. Fica pra mim a lição de que quando queremos ser especiais aos olhos alheios, devemos antes fazer com que estas pessoas sejam especiais aos nossos olhos, pois o poder de ver o mundo melhor passa por minha vontade e atitude de fazer com que seja melhor, porque está indo de mim para você saber que VOCÊ é especial.
Feliz natal e prospero ano novo (isto é piegas, mas o que de fato é novo que nunca foi usado, pois até a "bossa nova" não é nova).